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PsiSocial

Este blog pedagógico é dedicado para meus alunos da disciplina de Psicologia Social e Psicologia Sócio Histórica do curso de Psicologia, da ULBRA Gravataí. Os alunos alimentam o blog com seus estudos efetuados, para que sirvam a outros estudantes.

Sunday, October 22, 2006

Entrevista Aroldo Rodrigues

Entrevista com Aroldo Rodrigues. Autor do livro Psicologia Social. Editora Vozes. Livro base da disciplina de Psicologia Social ULBRA. Fornecida ao aluno dessa disciplina Alessandro Azambuja. Professora Ida Maria Mello Schivitz. Mais detalhes no Wikipedia

1. Quando iniciou seu interesse pela Psicologia Social e em quais circunstâncias ocorreu este interesse?

Quando eu estava no segundo ano de direito eu ví um anúncio no jornal acerca de um curso de 4 anos em Psicologia oferecido pela PUC-Rio. A Psicologia não era uma profissão reconhecida na época (1953); eu me matriculei e concluí os dois cursos em 1956. Meu interesse pela Psicologia que era um pouco vago se fortaleceu durante este curso de 4 anos .

2. Quem o senhor considera que mais influenciou seu trabalho e por quê?

Seis pessoas: Hanns Ludwig Lippmann, fundador do curso acima mencionado, e que me estimulou e apoiou enormemente no início de minha carreira; Pe. Antonius Benkö, que me incentivou a obter meu Ph.D.; Fritz Heider, meu professor na Universidade de Kansas, que inspirou praticamente toda minha atividade de pesquisa em psicologia, primeiro com sua teoria do equilíbrio (balance theory) e, em seguida, com suas idéias acerca de atribuição de causalidade; Harold H. Kelley e Bertram Raven, meus professores na UCLA e que, por sua competência e idéias pioneiras em psicologia social fortaleceram meu interesse por esta disciplina; e Bernard Weiner , também da UCLA, cuja teoria atribuicional serviu de inspiração para meus trabalhos de pesquisa nos últimos 20 anos.


3. Quais as principais diferenças que o senhor percebe na Psicologia praticada nos Estados Unidos e no Brasil?

Nos Estados Unidos se dá muito mais ênfase à pesquisa experimental e à quantificação que no Brasil. Ademais, por ser muito mais antiga que a brasileira, encontra-se em estado muito mais adiantado.

4. Como estudante de Psicologia, percebo que poucos psicólogos brasileiros se dedicam à pesquisa científica e que a maioria se volta a aplicação clínica da profissão. Qual a sua opinião a respeito disso?

Os graves problemas sociais brailsileiros levam os estudantes a procurar soluções pata os mesmos e daí o fato de privilegiarem as aplicações da psicologia.Mas, como dizia Pasteru, "não há ciência básica e ciênccia aplicada; o que existe é ciência e aplicações da ciência" Portanto, para que se possa realizar mudanças siginificativas, é preciso que antes se conheça a realidade onde pretendemos efetuar mudanças. O conhecimento (ciência) deve preceder qualquer aplicação eficaz. Também a falta de ênfase por parte dos professores na importância da experimentação e da quantificação em psicologia científica concorre para a preferência por aplicações em detrimento da pesquisa.

5. O senhor comenta em outra entrevista , que realiza, principalmente, estudos das atitudes, poder social e atribuição de causalidade. O senhor poderia falar um pouco mais sobre estas pesquisas?

Peço desculpas, mas para falar sobre tudo isso requereria um tempo que, infelizmente, nao disponho no momento. Tenho publicações no Brasil e no exterior sobre isso e, se necessário, podem ser consultadas. Direi apenas que minhas pesquisas nos últimos anos têm-se concentrado em descobrir as atribuições que seguem ao comportamento de obediência resultante de diferentes tipos de influência social.

6. O senhor tem algum estudo voltado ao problema da dependência química? Pois este assunto é de grande interesse pessoal e um dos impulsionadores do meu interesse pela psicologia. E como o senhor percebe esta problemática atual?

Não. Nunca me dediquei a esta importante área. Embora haja claros aspectos psicossociais importantes para a compreensão do problema, acho que êste tópico é mais do domínio da psicologia clínica.

7. Nesta época de campanha política no Brasil e os recentes e sucessivos escândalos de corrupção envolvendo um grande número de políticos, quais as conseqüências destas influências junto a população, na sua visão?

Estou longe do Brasil e torna-se difícil conhecer todos os aspectos do problema.O que me choca e preocupa tremendamente é que, ao que parece, a população brasileira "acostumou-se" à corrupção dos políticos. Vimos recentemente exemplos sem precedentes de extrema e revoltante corrupção, mas, a julgar-se pelas pesquisas de opinião, a maioria da população não quer mudanças, ou seja, está muito satisfeita com este estado deplorável de corrupção desenfreada. Lamentável e muito preocupante para o futuro do país.

8. Nos Estados Unidos o Presidente Bush diz lutar contra o terrorismo, invadindo o Iraque e ameaçando outros países com seu poder político e econômico. Como os americanos regem a esta forma de governar? O que esta influência está causando na população americana.

O governo Bush cometeu um êrro enorme ao invadir um país que não ameaçava os EEUU, não provocou os EEUU, não queria guerra com os EEUU, sob o pretexto falso de que êste país possuía armas de destruição em massa que não existiam. (Veja um artigo meu entitulado "Social Psychology and the Invasion of Irak, publicado na Revista de Psicología Social, na Espanha, 2005,20(3),387-398). A maioria da população americana e', atualmente, contra a guerra do Iraque. Entretanto, o americano é extremamente preocupado com sua segurança, e o ataque de 11 de setembro deixou a população alarmada. O governo Bush explora esta preocupação natural com a segurança para fins políticos. Apesar disso, acho eu que as eleições de Novembro para parte do Senado e da Câmara deverá mostrar a repulsa do povo americano ao governo Bush cuja desastrada política externa resultou em enorme incentivo ao terrorismo.

9. Os Estados Unidos produz celebridades no mundo do crime, principalmente Assassinos em Série. Quais as principais influências o senhor considera relevante e importante para a formação destes sujeitos? Qual a sua opinião a respeito?

Outra pergunta que requer resposta além do que meu tempo permite. Há inúmeros estudos sobre "assassinos em série". Aqui na minha universidade, o professor Eric Hichey tem vários livros a respeito.É assunto complexo, mais já se sabe muita coisa sobre isso.

10. Quais as suas perspectivas referente a Psicologia Social no Brasil e no Mundo?

No Brasil a psicologia social necessita tornar-se menos especulativa e política e mais científica. No mundo ela vai muito bem, tem feito descobertas muito importantes que permitem inúmeras aplicações úteis ao domínio das relações interpessoais.

11. Os acadêmicos do Curso de Psicologia noturno da Ulbra, localizado na cidade de Gravataí no RGS, em sua maioria, assim como eu, é composto de pessoas que não tiveram a oportunidade de iniciar seus estudos de gradução no tempo certo, isto é, não poderam continuar a estudar logo após a conclusão do curso secundário. Eu tenho 33 anos, estou no terceiro semestre, mas apesar do tempo perdido, tenho muita disposição de estudar e de me desenvolver pessoalmente e profissionalmente, assim como a grande maioria dos meus colegas de aula. Esta é uma realidade muito latente no Brasil, percebo. O que o senhor teria a dizer a todos nós frente a esta realidade?

Que ignorem o fato de haverem começado a estudar psicologia depois dos 30. Isso não tem a menor importância. O que importa é manter sua dedicação, seu interesse, sua seriedade e concentrar-se em seus estudos. Mantenham-se otimistas, acreditem em suas potencialidades, e não desanimem diante de aventuais dificuldade ou fracassos. Quando eu tinha 20 e poucos anos, meu inglês era precaríssimo. Se me dissessem naquela época que eu terminaria minha carreira lecionando numa universidade americana eu tomaria isso como uma "piada de mau gosto". Entretanto... aqui estou terminando minha carreira numa universidade onde se fala inglês...

Boa sorte e continue dedicando-se ao estudo da P
sicologia.

Agradeço sua atenção,

1 Comments:

At 9/06/2008 1:06 PM, Blogger Unknown said...

Boa Tarde prof Ida!!
Adorei o seu blog!!! será muito proveitoso todas as suas vivencias q encontrei em seu espaço,ja tendo ouvido,e agora ver foi muito bom parabéns um abraço Daisy Britto de oliveira.

 

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